Região está sitiada por risco de rompimento de barragens de rejeitos

Publicado Terça, 26 Fevereiro 2019 11:11
Protesto: Indignados com a situação, moradores fizeram manifestação em frente à sede da Vale em Nova Lima Protesto: Indignados com a situação, moradores fizeram manifestação em frente à sede da Vale em Nova Lima

Medo, tensão, falta de informações e prejuízos psicológicos e financeiros incalculáveis. São consequências vivenciadas pela população de áreas ameaçadas pelas barragens de rejeitos das mineradoras em Nova Lima, Rio Acima, Itabirito e Ouro Preto.

Após o desastre de Brumadinho, o risco do rompimento de novas barragens na Grande Belo Horizonte, em especial em Nova Lima e Rio Acima, onde estão localizadas algumas das minas da Vale, está provocando problemas de toda a ordem, além do esgotamento psicológico e econômico aos moradores das comunidades. Em apenas 13 dias, mais de 1.200 pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas, as escolas, o comércio e toda a sua rotina e passaram a conviver diariamente com diversos tipos de transtornos.   
Em Nova Lima o pânico começou no último dia 16 de fevereiro, quando a Vale anunciou que o nível de alerta de risco de rompimento da barragem B3/B4 da Mina de Mar Azul ter subido para nível 2. Moradores tiveram que abandonar suas casas, comércio foi fechado e pousadas ficaram vazias, uma vez que o Distrito de São Sebastião de Águas Claras tem a sua economia baseada no turismo.

Esta situação acontece em outros locais de Minas. Os povoados de Socorro, Tabuleiro e Piteiras, em Barão de Cocais, e a Pinheiros, em Itatiaiuçu, municípios da região Central do Estado.

Em todos os casos, as barragens são construídas no método de alteamento a montante, o mesmo do reservatório da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

Depois do alerta da Mina Mar Azul, foi a vez do complexo de Rio do Peixe, onde o medo é que a Barragem Vargem Grande – que acumula mais de 9 milhões de metros cúbicos de rejeitos do minério de ferro – atinja todas as residências e transformar a região em uma nova tragédia, atingindo Nova Lima, Itabirito e até a parte de Ouro Preto.

Moradores de Macacos fazem manifestação

Depois que dezenas de famílias tiveram que deixar as suas casas, um grupo de moradores de Macacos fez manifestação em frente à sede da Vale na cidade. Os moradores que foram retirados de suas residências no último dia 16 de fevereiro, após o nível de alerta de risco de rompimento da barragem B3/B4 da Mina Mar Azul ter subido para nível 2, reivindicavam um tratamento mais humanizado da empresa.

Com cartazes e gritos de “Fora Vale”, os manifestantes pediram uma solução para a falta de segurança da barragem e para a ausência de informações à comunidade sobre a real condição do local.

A Vale divulgou uma nota à imprensa se posicionando sobre as reivindicações: “Desde a evacuação realizada no último sábado (16), a Vale vem mantendo um diálogo transparente e aberto com representantes locais da região de Macacos (MG), de forma a esclarecer possíveis dúvidas dos atingidos e minimizar incertezas. A empresa informa, ainda, que os moradores estão recebendo toda a assistência e apoio necessários até que a situação seja normalizada. A Vale colocou à disposição hospedagem, alimentação, transporte, medicamentos, vestuário, cesta básica, material escolar, além de uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, assistentes sociais e médicos”.

Vargem Grande ameaça Nova Lima, Itabirito e Ouro Preto

Em Nova Lima, cerca de 100 moradores de áreas de risco associadas à Barragem de Vargem Grande também tiveram que deixar suas casas. A ordem é que as pessoas que vivem próximas às barragens de Vargem Grande, em Nova Lima, na divisa com Itabirito, e Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, em Ouro Preto, todas de propriedade da Vale, deixassem suas casas. No local, 60 pessoas foram deslocadas, segundo a Defesa Civil Estadual, enquanto outras 15 sairão de suas casas nos distritos de Miguel Burnier e Pires, em Ouro Preto.
A Prefeitura de Nova Lima informou que, após alerta da Vale, foram realizadas a evacuação de 38 famílias moradoras do condomínio Solar da Lagoa e da Vila Codornas A e E, do complexo de Rio de Peixe, em função Barragem de Vargem Grande. E que a ação é apenas preventiva.

A Vale informou, em nota, que coordenará com as autoridades a realocação das pessoas situadas na Zona de Autossalvamento (ZAS) dos reservatórios de rejeitos citados. Segundo a empresa, a retirada dos moradores faz parte das ações de desativação de Vargem Grande, divulgada no dia 4 deste mês.

BR-356 tem trecho no sistema “Pare e Siga”

Outro transtorno que a região tem vivenciado nestes últimos dias, é a interdição de um trecho da BR-356 em Itabirito, por causa do risco de rompimento da Mina Vargem Grande. No entanto, o trecho da BR que estava interditado desde o último dia 20 de fevereiro, por causa do risco de rompimento da mina, foi parcialmente liberado no dia 22, ao ser adotado o sistema “Pare e Siga” para a trânsito alternado dos veículos. A rodovia estava fechada entre os Kms 35 e 41, em Itabirito. A passagem dos automóveis será monitorada por agentes de trânsito e da PM.

Em caso de ruptura da estrutura, a lama levaria apenas quatro minutos para atingir o primeiro ponto da BR-356. Além deste, que fica a cerca de 500 metros do posto da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), outros dois trechos seriam rapidamente tomados pelos rejeitos. Por isso, o sistema “pare e siga” conta com pontos extras de apoio. As informações divulgadas pela mineradora Vale para a Defesa Civil e PMRv permitiram uma simulação que atestou a segurança de deslocamento de forma controlada.

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