Lá e aqui

Publicado Quarta, 10 Abril 2019 13:50
Exemplo: A Via Stael Biclaho, na divisa do Belvedere com Vila da Serra, é prova do descaso com moradores, trabalhadores e estudantes que são obrigados a andar entre carros e vegetação diariamente Exemplo: A Via Stael Biclaho, na divisa do Belvedere com Vila da Serra, é prova do descaso com moradores, trabalhadores e estudantes que são obrigados a andar entre carros e vegetação diariamente

Flávio Krollmman / Conselheiro da Promutuca / www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Olá a todos.
Estive na última semana em Curitiba. Aliás, estive nos últimos dias percorrendo o Estado do Paraná. Estradas em ótimo estado, pelo menos boa parte delas ou ao menos as que percorri. Entradas (ENTRADAS) de cidades decoradas ou, pelo menos, organizadas e limpas, receptivas a quem passa pelas mesmas. Enfim, uma viagem, apesar de ser a trabalho, agradável e com momentos de contemplação.

Estando na cidade de Curitiba, nacionalmente conhecida por ser uma capital com níveis elevados de qualidade de vida, mobilidade urbana e lazer, confesso que, apesar de outras inúmeras vezes já ter estado por lá, tive e tenho um impacto pelo que vejo e usufruo. Sistema de transportes ágil, eficiente e limpo. Além de não impactar com a cidade. Parques e praças espalhados por toda a cidade, limpos, organizados e, mais do que isso, frequentados! Ruas limpas (e como são limpas!), lixeiras devidamente distribuídas e conservadas, calçadas arborizadas e próprias para a mobilidade urbana.

Me chamou a atenção, em uma corrida de taxi, a fala do motorista um pouco assustado com uma recente e RARÍSSIMA ocorrência de alagamento em uma das áreas da cidade; isso mesmo, raríssima. E mais interessante foi ouvir do mesmo condutor que tal surpresa se dava, além de ocorrência não ser frequente na cidade, também pelo fato da cidade ser limpa e assim não provocar entupimentos das galerias de drenagem. Por isso, se perguntava e, ao mesmo tempo respondia, que tal situação se deveu unicamente ao excesso de chuvas além das previsões e ocorrências normais.

Ou seja, o próprio morador da cidade reconhece, naturalmente, que a cidade é limpa.

Aqui nas Minas Gerais, mais especificamente, em nossa capital e Região Metropolitana, cerca de mil quilômetros da capital paranaense, convivemos com uma realidade diferente: a antiga “cidade jardim” que antes competia e até mesmo ultrapassava Curitiba em qualidade de vida se tornou e vem se tornado uma cidade comum e pior (comum para os padrões brasileiros). Cidade suja, extremamente suja. Sujeira pra todo lado, nas ruas, praças, nas calçadas, nos rios. Aliás, temos um esgoto a céu aberto, canalizado, cortando toda a cidade! Mas me permitam ser repetitivo: Quanta sujeira!

Passeios destruídos, feios, impróprios para qualquer cidadão, até mesmo para os não portadores de necessidades especiais. Imagine para eles, para os idosos! Fora que as árvores estão sendo suprimidas, seja pelas frequentes pragas que as assolam (não seria, talvez, por descaso e incompetência da gestão pública?), seja pela postura de moradores que, não consigo entender porque, não as querem nas portas de suas casas e comércios. E as administrações municipais aprovam isso e até mesmo parecem incentivar este tipo de prática. Os departamentos/secretarias de parques e jardins se tornaram “’podas e afins”. Aliás, e os parques e praças? Eles desconvidam a serem frequentados. Lixo, mais uma vez. LIXO por toda parte! Fora o vandalismo, as péssimas condições dos gramados, calçadas, bancos e lixeiras. Algumas praças, sequer árvores possuem. Fora que a chance de ser assaltado em uma delas é muito maior do que se divertir nas mesmas. Não vou aqui entrar na questão do transporte público... E só de pensar que tivemos a oportunidade de ter aqui um VLT...

E qual perspectiva de melhora? Nenhuma! Pelo menos a curto e médio prazo. Não se vê ações governamentais de impacto. É o mais do mesmo. Não se vê e tampouco se estudam ações de educação, de mudança dos hábitos dos cidadãos, eficientes e necessárias para uma cidade que vem perdendo sua qualidade de vida. É muito cômodo colocar a culpa nas gestões anteriores (aliás prática permanente) e na falta de recursos. O que falta mesmo é visão de futuro e de melhorar e vontade e disposição pra isso.

Então por que você não muda pra lá? Porque moro, trabalho e tenho família aqui. Tenho disposição e postura de colocar a mão na massa para mudar e fazer as coisas (e longe da política!), além de poder utilizar deste espaço aqui para tentar sensibilizar pessoas e provocar mudanças. Aliás, até mesmo este pensamento (e frequente na atualidade) do “então vai pra lá” deve ser analisado; se há pessoas que têm vontade e sensibilidade de melhorar sua cidade em comparação com outras a saída é expulsá-las? Não seria mais correto se juntar a elas, apoia-las e realmente melhorar?

E o meio ambiente? Acabei não tocando no assunto de modo direto aqui. Apesar de que a gestão pública e educação têm tudo a ver com o assunto. Mas se querem algo a respeito, vale uma última: no Paraná, atualmente, uma das campanhas de preservação de meio ambiente no Estado é que, como estamos na época do Pinhão, comum na região e preservado, que a população não colha frutos ainda verdes. Viram o nível da preocupação? Se estivéssemos em mesmo nível, estaríamos nos preocupando quando da época do Pequi para que as pessoas não o colhessem ainda verdes.

Infelizmente nosso problema é um pouco maior que colher o pequi verde. Estão dizimando o Cerrado no Estado, incluindo os pés (e não somente os frutos) de Pequi, outras espécies, cursos d´água e nascentes. Além disso estamos em pânico se várias barragens do Estado (e não somente uma ou duas) podem provocar mais mortes e devastação além das últimas, recentes (E RECORRENTES!) já causaram.

Você quer mudar pra lá ou ajudar a mudar as coisas por aqui?

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