O fogo não escolhe época de crise ou de bonança

Publicado Quinta, 09 Mai 2019 18:54
© Fotos: Divulgação/ Evandro Rodney /Cedida Agência Minas © Fotos: Divulgação/ Evandro Rodney /Cedida Agência Minas

Flávio Krollmman / Conselheiro da Promutuca / www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. De acordo com informações, o destacamento do grupo do Corpo de Bombeiros que ficava sediado no Parque Estadual do Rola Moça deixou suas dependências ao fim ano de 2018.

Vale lembrar que a presença da corporação nas dependências da sede da Unidade de Conservação se deu graças a uma prolongada luta de gestores do parque, ambientalistas e comunidade local. Vítima constante de incêndios florestais e vandalismo, o Parque Estadual do Rola Moça, situado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, passou a ser, infelizmente, uma notícia constante perante os diversos incêndios que o assolaram repetitivamente nos últimos anos. Tal situação encobre uma série de boas ações realizadas no Parque e, acima de tudo, dizima a fauna e a flora locais, bem como as nascentes e cursos d’água.

É fato que o Corpo de Bombeiros, conforme informações, continua presente e se deslocando na região, entretanto, estar sediado nas dependências da Unidade, com certeza, traz maior segurança, agilidade e eficiência aos atendimentos à comunidade local e a própria unidade de conservação. Outra informação recente é de que o contrato com a empresa de aeronaves que apoia o combate de incêndios no Estado também sofreu reduções ou foi cancelado.

As informações ainda estão desencontradas, mas levanta um grave alerta justo no início do período de estiagem e de focos de incêndio. No caso do Parque do Rola Moça, este está sendo atendido, além do Corpo de Bombeiros, por outros grupos de brigadistas. Entretanto, toda a área restante da APA-SUL, incluindo diversas unidades de conservação e monumentos naturais estão sem cobertura eficiente e apoio. Lembramos que a APA-SUL abriga, além do Rola Moça, outras Unidades de Conservação e regiões florestais ainda nativas.

Nestas áreas, o deslocamento de brigadistas se torna uma tarefa difícil, complexa e demorada; assim, o apoio de aeronaves se torna fundamental. Com a eventual redução/cancelamento do serviço de apoio aéreo, o combate aos incêndios florestais perde um de seus maiores apoios e fica severamente comprometido. Entendemos que o Estado de Minas passa por grave crise, mas devemos entender também que o fogo não escolhe época de crise ou de bonança para acontecer.

Além disso, como vem se repetindo todos os anos, a mobilização e educação das comunidades, que lembramos, é de baixíssimo custo e importantíssima para a capacitação destas em não provocar incêndios, continua a não ocorrer de forma eficiente no Estado. Esta é uma das principais características não só de Minas, mas de todo o Brasil; não se investe em ações objetivas e práticas preventivas (e no caso de educação das comunidades, de baixo custo!) e depois se gastam milhões com ações corretivas, muitas delas ineficientes e tardias. E, para piorar, no momento, o Estado não tem este dinheiro para serem gastos na época mais crítica de incêndios florestais.

Um jornal moderno, com a credibilidade e a leveza no jeito diferente de informar. Notícias, cultura, gastronomia, negócios, eventos e muito mais sobre um dos bairros mais charmosos de BH.

31 3264.0211 | 3286.1181

Edição Digital

Inscreva-se e receba o Jornal Belvedere em formato PDF.

Não mandaremos Spam!