Colégio Santo Agostinho toma medida para melhoria do trânsito

Publicado Segunda, 25 Fevereiro 2019 15:30
Tumulto: O volume de carros impediu o acesso de moradores do Vila Grimm, no Vale dos Cristais Tumulto: O volume de carros impediu o acesso de moradores do Vila Grimm, no Vale dos Cristais

Nos últimos dias, as redes sociais foram invadidas com várias denúncias a órgãos de imprensa, por reclamações de moradores e pais de alunos que não conseguiam acesso ao próprio colégio e aos condomínios em seu entorno.

A direção do Colégio Santo Agostinho avançou em uma medida paliativa no acesso ao estacionamento e no desembarque de alunos, o que gerou uma melhoria do fluxo de trânsito na Rua das Cores, principal acesso dos pais à escola. Nos últimos dias, as redes sociais foram invadidas com denúncias a órgãos de imprensa, por reclamações de moradores e pais de alunos que não conseguiam acesso ao próprio colégio e aos condomínios em seu entorno. Moradores chegaram a gastar até 1h15m para fazer o percurso entre o Vila da Serra e o Vale dos Cristais e muitos país não conseguiram chegar com os seus filhos no colégio. A ação simples adotada pelo Santo Agostinho e que repercutiu em uma melhoria significativa no fluxo do trânsito consistiu na disponibilização de pessoal logo na entrada da escola para receber as crianças menores, que geralmente são conduzidas pelos pais até às salas de aula.
O engarrafamento monstruoso, que comprometia o acesso de moradores do Vila Grimm, no Vale dos Cristais, às suas residências gerou grande conflito na região. A Rua das Cores contorna todo o colégio e é a principal conexão ao residencial. Ela está dentro de uma área de preservação, de propriedade da AngloGold, e uma parte dela deveria ser desafetada para servir de área de manobra naquele local. Há oito anos, o assunto vem sendo discutido junto à prefeitura, a Associação Geral do Vale dos Cristais e o Colégio. Um projeto nesse sentido, enviado à Câmara Municipal de Nova Lima, previa desafetar essa área para obras de alargamento da rua, e em troca um outro terreno seria ofertado. Mas, o tal projeto não prosseguiu na Casa e foi arquivado.       
A direção do colégio chegou a se reunir no último dia 14, com os responsáveis pelo setor de Engenharia de Trânsito da Secretaria de Segurança, Trânsito e Transportes da Prefeitura de Nova Lima e em seguida lançou um comunicado aos pais apresentando os resultados efetivos da reunião. Segundo informou Gustavo Pasa, Gestor Administrativo-Financeiro do Santo Agostinho Vale dos Cristais, a Guarda Municipal se comprometeu atuar no suporte do trânsito nas primeiras horas da manhã e a partir de uma análise irá propor medidas para mitigar os impactos do trânsito na região. Ele informou também que o colégio iria adotar uma escala de horários escalonados para a entrada de alunos e da importância dos pais se programarem para chegar no horário correto da aula.
Pasa ressaltou que “é importante salientar que o Poder Público é o responsável pela segurança, pela gestão de trânsito e pelas obras necessárias em via pública. Assim, o Colégio não tem competência e nem poder de polícia para atuar fora de suas dependências. Entretanto, ao longo dos últimos anos, dentro de nossas possibilidades legais de atuação, viemos realizando ações efetivas em prol da melhoria no trânsito da região”. Segundo ele, no dia 7 de fevereiro de 2019 foi protocolado ofício junto à Secretaria de Trânsito de Nova Lima, solicitando aos órgãos competentes a intervenção no trânsito local.
Em 2010, na época da sua inauguração, o Colégio Santo Agostinho tinha 1419 alunos. Quatro anos depois, registrou 1997 e agora em 2019 são 2300 alunos. Um aumento de 303 alunos nos últimos cinco anos.

Licenciamento Corretivo

O secretário de Planejamento de Nova Lima, André Rocha, informou que o projeto de desafetação da área é passível de aprovação. Porém, para desafetar uma área é necessária a afetação de outra. Ele resaltou que o município precisa de um responsável pela execução das obras. “Além disso, diante dos últimos acontecimentos, solicitei à Secretaria de Meio Ambiente uma análise da situação e se for o caso que se faça um licenciamento ambiental corretivo, uma vez que existe esse grande impacto na região”, disse o secretário. André Rocha reiterou que o executivo irá enviar um projeto à Câmara para a desafetação, porém a obra só será iniciada após a garantia de quem irá executá-la.

Exemplo de cidadania

A questão do trânsito nas proximidades do colégio já foi destaque no JORNAL BELVEDERE. Por intermédio da Univiva, os alunos visitaram o diretor geral do Departamento de Edificações Estradas e Rodagem (DEER) reivindicando providências. Na ocasião, representantes da Univiva intercederam junto ao órgão pedindo mais segurança ao trânsito na região. Os alunos, que na ocasião também se manifestaram contra o trânsito de carretas de minério na MG-030, solicitaram a manutenção de radares e a construção da passarela, entregaram um abaixo-assinado com cerca de 5 mil assinaturas.

Mães criam grupo da “carona solidária”

Entre as ações efetivas propostas pelo Santo Agostinho para mitigar os impactos dos veículos está a carona solidária. Esse é case de sucesso na escola e foi implantado muito antes do aumento de trânsito local. A ideia de criar o grupo partiu da Procuradora Federal, Gabriela Ayres Furtado, que é mãe de dois filhos, de 7 e 10 anos de idade. Moradora de um condomínio no Vila da Serra, ela decidiu criar um meio de transporte solidário, no intuito de ajudar as mães de alunos do turno da manhã. Hoje, o grupo é composto por 18 mães que se revezam no transporte escolar dos alunos.
Gabriela Furtado conta que as crianças já acostumaram com a carona solidária, entenderam o objetivo dessa ação e a praticam com a maior naturalidade. “Apesar de poder levar meus filhos todos os dias à escola, eu optei por eles irem de carona. Sempre ficava triste em ver nove carros saindo com uma única criança para o mesmo destino. Então, criei o Carona Solidária, onde todas as 18 mães têm autorização das agendas das crianças para retirá-los ou entrega-los na porta da escola. Assim, uma pode suprir a outra na hora de ‘aperto’ nessa demanda”, explicou.
Para a Procuradora, a criança precisa aprender desde cedo sobre a questão ambiental e se conscientizar que pode fazer algo para o mundo ser melhor. “De nada adianta a escola fazer a parte dela se os pais não fizerem o mesmo. A Carona Solidária veio para as crianças aprenderem, desde cedo, a abrir mão do seu carro para a melhoria da qualidade de vida de todos. Fico feliz porque meus filhos entenderam isso e praticam a carona com muita naturalidade”, destacou.

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