Vale do Loire: os châteaux mais famosos da França

Publicado Quinta, 09 Mai 2019 18:36
Paulo Queiroga / Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. Luxo, refinamento e ostentação. É a memória fotográfica do vale que margeia o Rio Loire e afluentes, paisagem da França renascentista e do Iluminismo.
Na Idade Média, nos séculos 9 e 10, já existiam castelos-fortaleza na região. Mas, entre os séculos 15 e 18, disputas e ostentação entre as famílias nobres construíram um fabuloso cenário renascentista. A região, a cerca de 200 km de Paris, conhecida como Jardim da França e titulado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, possui 300 chateâux, ou castelos e palácios de extremo bom gosto, verdadeiras joias da arquitetura. O refúgio da monarquia e polo de ostentação, iniciado nas dinastias Valois e Bourbon, virou moda. No Vale de Loire, afamados arquitetos e paisagistas construíram os chateâux mais suntuosos, os jardins mais floridos, as topiarias mais esculturais nas árvores e os ambientes mais finamente decorados. A maioria dos castelos, hoje, está nas mãos da iniciativa privada, recebem hóspedes e as diárias não são assim tão caras. A cidade de Bloir fundada no século 5 é pura história da França. Visita obrigatória, o palácio, no centro da cidade, é seu maior símbolo. Além de residência dos reis da França, nele, Joana d’Arc recebeu, em 1429, as bênçãos do Arcebispo de Reims, antes de partir para salvar a França da Inglaterra, na guerra que durou 116 anos. Bloir foi uma das primeiras cidades da Europa a acusar os judeus de crimes rituais, em consequência do desaparecimento inexplicado de uma criança cristã. Em uma comunidade de cerca de 130 pessoas, entre 30 e 35 judeus foram queimados vivos, no ano1171. Os castelos O castelo de Amboise, que já foi residência da rainha Anne de Bretagne, casada com os Reis Carlos VIII e Luís XII, serviu também de casa para Leonardo da Vinci. Entre 1516 a 1519, ele manteve ali o Castelo du Clos Luce, um pequeno castelo de tijolos com um anexo à construção principal, por uma passagem subterrânea. O corpo de Da Vinci foi enterrado na Capela de Saint-Hubert, nos jardins da propriedade. Isso não impediu que o lugar fosse abandonado no século XVII e transformado em prisão. Depois, foi restaurado e conservado até hoje pelo Conde de Paris, herdeiro do rei Luís Felipe. Em Chenonceau, o Castelo que leva o nome da comuna é a perfeita ilustração de livro de fábulas. Construído sobre o rio Cher, como se fosse uma ponte, a estrutura assentada sobre pilares em arco e os jardins maravilhosos dão a impressão da estrutura estar suspensa sobre o rio. Ele é conhecido como “Chateâu des Dames”. Das sete mulheres poderosas que comandaram a propriedade, as mais célebres são Catarina de Médicis e Diana de Poitiers, respectivamente, rainha e amante do rei Henrique II. Catarina de Médicis, quando viúva do monarca Henrique II, se tornou famosa pelas festas espetaculares e foi, também, quem trouxe hábitos inovadores para a culinária francesa. O Château de Chambord, em estilo renascentista, além de ser o maior castelo do Vale de Loire, é, de longe, o mais famoso. Com toda imponência e majestade, Chambord era utilizado pelo Rei Francisco I, apenas como um mero pavilhão de Caça, pois ele mantinha sua residência nos Châteux de Blois e d’Amboise. Há teorias que sugerem ter sido o castelo projetado por Leonardo da Vinci, baseadas em elementos arquitetônicos incomuns, como as escadas em dupla hélice, em que as pessoas sobem e descem em paralelo, sem se encontrarem. O vale mais fértil do país possui vinhos consagrados e grande variedade de frutas e verduras frescas, como aspargos, framboesas, morangos, cogumelos, queijos, além das especialidades da região, como o pato com nabos e enguia ao vinho tinto. Para melhor viver o Vale do Loire, o ideal é dispor de três a quatro dias, de carro, sem correria, para conhecer, suavemente, as vilas e aldeias deste vale encantado.

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